Hospital #14

A sabedoria está

Nas paredes dos hospitais
Lar dos que se despedem
De intocáveis portais

As portas se abrem
Ao final de cada dia.
Com um vão na maca
O quarto se esvazia.
Se abre espaço para vida
Nos que se despedem

Se o fim é semente
No final do túnel
Brota luz, se acende
Coração e mente
Do que vê a jornada
E considera o acidente

*Poema escrito imediatamente após participar do projeto Lugar de Paz, feito pelo Hospital Adventista Silvestre com o Coral UNASP. Lá cantamos nos corredores, e visitamos os pacientes no quarto.

Hospital #14

Pescador e Eu #13

Segue o barco, o pescador e eu
Ignorando o silêncio
É certeza, que virá
– Sei que fome não vou passar
As redes hesitam, o jantar
Contemplo o lago mudo
Sigo, no barco, o pescador

Pescador e Eu #13

Teimosia #12

As árvores estão carecas de saber
Que nem tudo vai acontecer
À sua maneira

As folhas espalhadas são ritual
Lágrimas, de frequência anual
Morte rotineira

Penduram-se frondosas dúvidas
Sobre a visita das primaveras
É a rotina

As árvores não se cansam de viver
A espera de que algo ocorra
À sua maneira?

 

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Teimosia #12

Conto das Formiguinhas #11

Duas formiguinhas saíam para o topo do formigueiro, após o expediente. Ali fora, no bosque, aproveitavam a brisa suave da noite para conversar. A prosa era geralmente sobre trabalho, pois geralmente não havia nada mais interessante para abordar.

Em uma de suas saídas abordam algo. Sentadas na borda do amontoado de areia levantam o olhar para um objeto nada convencional. A lua estava pregada no meio do céu circundada pela copa das árvores.

– “Minhas antenas captaram a beleza”-

– “Mas o que será isso de brilho perfeito? “ –

– “É linda a circunferência, nisso há certeza” –

 

Alguns dias depois voltam as duas formiguinhas. Ao notar que o “ser brilhante” estava na borda da copa das árvores, esperam observando. Com o tempo a lua é absorvida pela copa das árvores. Nada impressionadas, voltam ao formigueiro concordando:

“Tão bela, porém tão indefesa
Perante as imponentes árvores
Qualquer criatura vira presa”

 

Conto das Formiguinhas #11

Pião #10

 

Há a terra, há a vida
Na lavoura, há o pão
Dor existe na labuta
Nada muda, volta ao chão

Sob o sol mais escaldante
É feito caldo, o peão
Pelejando vai o tempo
Um giro sem senso, contramão

Pião #10

50 Tons de Branco # 9

Narração + Comentários = Play 

 

No chalé do esquimó eu pedi
Por uma camiseta branca
– A branca bebê ou branco gelo?
Minha cara de peixe morto lhe foi familiar
Mas não foi suficiente para fazê-lo parar
– Branco fosco ou o branco salino?

Ora, não seria óbvio de esperar
Dele, que em tanto branco desbrava a vida,
Distinguir o tom da neve do tom do ar

Devo desculpas aos esquimós:
Pois nunca irei bem conhecer
O que me acostumei a ver
Apenas por imagens distantes
Aquilo que nunca vou viver
Se não por uma tela de tevê

50 Tons de Branco # 9

Vai e Vão #8

Dizem que o mundo é muito incerto
De certo não vivem no mundo que eu
Pois mesmo que envolto por breu.
Vejo com clareza, circunstância:

Alcancei o horizonte
Não saí do meu lugar

Os mundos e estrelas,
Debruçam-se em valsas

Folhas vão cair após o rastelar
Murados, se erguem os castelos
O chorar acompanha o nascer
Noite e dia, à brigar por um lar

Longa foi a ida?
Comprida será a volta

Elevamos velas finas,
Para clarear o céu

Nada novo existe,
Debaixo desse Sol

 

Vai e Vão #8