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MAIS UM DRINK / ODE A MEL #0

Ainda tinha um restinho no copo.
Dose de versos concentrados
Que Mel amargou

Bebi quase tudo em goles secos
Até o copo ficar quase vazio
Mas recusei-me matar, aquele
Útlimo, preferi não morrer

E engarrafado veio o tempo
Virou, se derramando
Afogando as rimas
Abrandando o xarope

Levo à boca o copo
Transbordante
Que o tempo solveu

MAIS UM DRINK / ODE A MEL #0

(a)guardando a Mel

I

Você partiu?
Não ouço mais sua doce voz
E quais palavras me restam?
As últimas que tinha
Guardei num papel que não dobrei
Para te dar

Você se foi de vez?
Ainda tem contas pra pagar
Ainda trago o bolso vazio
Das suas lições
Você não me deu um último papo,
Satisfações

Fui eu quem te expulsou?
Descrevendo demais o que senti
Fui escrivão da tua vida
Com amor inconsciente, fiz poesia
Nos versos conscientes, escravidão
Te fiz exílio, cativa
E agora foges
Entre os versos
Entre as pausas
Do sentido
De um homem são

II

Se você não for voltar
Te guardei em alguns poemas
Que ainda planejo postar postei
Eles serão a lápide
Não sua, mas minha:
Cuidei enquanto a tive
E o cuidado, cuidado

Se não cuidar posso te ressuscitar
Mas sem me precipitar, não sei
Fui eu que te matei?

(a)guardando a Mel

papel que não dobrei #10

Mel vem a boca de canudinho
Gota a gota
Me fita com olhos âmbar
Sugando a minha alma

Posta sobre meu ventre
Suas linhas curvas
São retilíneo arpão
Fisgam fundo meu estômago
E o rasgo expele purulento
Seus versos amargos
Impostora

papel que não dobrei #10

aspecto #9

É a sua figura
Que vaza
Nas arestas do espelho

Sua figura
Que ora aparenta
Minuto esvai

É a sua figura
Que turva
Lavra, rega a paixão

Ela, sua figura
Nua, escorada
Entre a tinta e o papel

Sua posição revela
Na ordem dessas
e de suas palavras
Sua figura
Bem definida
Linguagem

aspecto #9

ensaio sobre a mel #8

Ela não me visitou
Nos últimos dias
Não veio ao meu quarto
Pessoalmente
Até arrumei a cama

Meus olhos pelos cantos
Pelados de teias
Piscam, e me arrepio até
Extremidades

Me observa pela janela?
Ela não prometeu ficar
Ela não prometeu partir
Onde então, vamos parar?

ensaio sobre a mel #8

DiaGNóSTICO #7

Funcional
Ela me definiu como funcional, doutor
Nem calmo,
Nem apaixonado,
Nem bagacento, nem formidável
Nem neutro
Funcional, ela disse

Um cinza circular
Girando monotonamente
Constante, estático
Calculável, metrificado
Fossilizado, rotineiro
Me senti um pixel
Morto na tela do computador
Não se mexe, nem atrapalha
Passa por papel de parede
Nem parece falha

Fez rabísco rápido,
De caneta
E o laudo consta:
“Funciona bem”

DiaGNóSTICO #7